sexta-feira, 12 de abril de 2013

Memórias da 1a. edição (2 de 3)

Texto de Eliana Yunes para a primeira edição de Meninas inventadas. A nova edição já está nas livrarias e é ilustrada por Cecília Murgel.

1a. orelha, 1a. edição
"Ana Letícia Leal bem podia ser um nome inventado, quero dizer, uma menina inventada em graça e alegria. Mas é a inventadeira, quero dizer, a ficcionista. Finge bem a moça. Finge até que não é ela as meninas inventadas. Autobiográficas? Isto é gênero. As meninas adolescentes, patricinhas, deprimidas, anjos retos e tortos, vivendo nas sombras ou despudoradas na busca de um lugar ao sol, são quase como todas as adolescentes urbanas, filhas da pressa, da angústia precoce, da sede de afeto, dos sonhos pré-frustrados: Ana Letícia Leal, nome na capa, registrou Camila, Laura, Ludmila, Clara, Mariana, nomes das personagens, em câmera segura e cliques precisos.

"As estudantes, vivendo em um mesmo raio, provavelmente (juntos, os casos parecem contos, mas bem poderiam ser uma novela curta; ou um curta?), apesar das diferenças econômicas, se conhecem e rolam nas histórias umas das outras, com seus casos, e ficam. Ficam com o leitor. Rápidas pinceladas, frases enxutas, diálogos ágeis, seus tormentos diante do mundo, as crises, os conflitos, os vazios, as vaidades acabam por formar um painel arguto e compassivo do que se passa nos corações e mentes de jovens nada inventadas, atormentadas pelo não-sei-o-que-vou-fazer-da-minha-vida-agora, quando o peso do mundo desce dos ombros de seus pais e começa a pesar-lhes sobre as asas.

"As histórias tocantes, sem o menor travo piegas, são boas de ler para mães e filhas – umas para recordar, outras para espelhar, ambas para entender que a dor de crescer quando começa não acaba mais, nem tem remédio que não seja o de olhar a vida nos olhos e crer que ela vale a pena quando se é capaz de amá-la, sem medo.

"Se este é o livro de estreia de Ana Letícia Leal, imagine quando o nome deixar de ser ficção, quero dizer, quando atrás do nome aparecer em carne e osso a autora, leal à sua leitora. (Mas menino leitor também pode entrar.) Gente grande gostaria de ter escrito este livro. E também vai gostar de lê-lo."