domingo, 16 de junho de 2013

Hora de parar

Ao iniciar este blog, em outubro de 2010, eu não imaginava ser tão frequente e pontual nas minhas postagens. No último mês, porém, pausei sem querer. E gostei. E achei que está na hora de parar. Pra depois voltar? Talvez. O certo é o que já foi e, se você gostou, que tal reler? E se você não leu... etc. Pra turma que escreve ou quer escrever, tenho quatro oficinas agendadas pra breve. Todas na Estação das Letras, que fica no Rio de Janeiro, bem perto da estação de metrô Flamengo:

Páginas da vida real: oficina de memórias. Intensivo de 29 de julho a 2 de agosto, comigo e Márcia Cristina Silva. Cinco aulas, de segunda a sexta, das dez ao meio-dia. Clique para mais informações. 

Autoficção: escrita e memória pessoal. Em quatro sábados, das 10h às 13h. De 31/08 a 28/09. Para mais informações, ligue 3237-3947 ou acesse www.estacaodasletras.com.br 


Páginas da vida real: oficina de memórias. Em oito segundas, das 10h às 12h. De 9/9 a 28/10. Para mais informações, ligue 3237-3947 ou acesse www.estacaodasletras.com.br 

Exercícios de autoficção: oficina literária. Em oito quartas, das 10h às 12h. De 2/10 a 27/11. Para mais informações, ligue 3237-3947 ou acesse www.estacaodasletras.com.br 


Obrigada! Até outra hora!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Memórias da 1a. edição (3 de 3)


Nova edição já nas livrarias!
 METÁFORAS DELICADAS DO COTIDIANO
Ana Letícia Leal mostra domínio da narrativa em Meninas inventadas

por Elaine Pauvolid

O Globo/Prosa e Verso
09/12/2006

        "Meninas inventadas, livro de estreia de Ana Letícia Leal, é composto por onze contos que podem ser lidos como metáforas dos acontecimentos reais do dia a dia, aproximando-se da crônica. A obra, dirigida ao público infantojuvenil, trata de temas como virgindade, homossexualismo, diferenças sociais e de cor de pele, tendo como pano de fundo a adolescência feminina.
       "No conto Nem preta, nem branca, Janaína se ressente por não pertencer ao grupo formado pelas pessoas de pele negra e nem ao de pessoas de pele branca, pois, segundo ela, situar-se-ia no meio caminho entre um e outro, queixando-se da denominação parda que traz na certidão de nascimento. Outro conflito é não ser rica nem pobre. Filha de professores e bolsista no colégio, sente-se pobre. Também não se insere no grupo dos pobres, que a acham rica. Nem uma coisa, nem outra, coloca-se numa espécie de limbo. Janaína também se mete numa enrascada ao ter que escrever uma redação porque, entre um pensamento e outro, vive se perdendo.
          "Todos os personagens principais são mulheres e se encontram. Enquanto num conto são protagonistas, em outro elas tornam a aparecer citadas apenas como amigas ou conhecidas. Na verdade elas se recontam. Sob novo prisma, ganham profundidade e se ligam uma a outra. Como na brincadeira de papel, onde, depois de dobrado, recorta-se uma boneca para em seguida desdobrá-lo e ver surgir várias bonecas de mãos dadas.
        "Em textos recheados de humor, Ana Letícia também mostra perícia no manejo da técnica do conto e da crônica e revela o dom de levar o texto num aparente silêncio.
          "A obra de estreia da escritora, finalista da primeira edição do concurso Contos do Rio, promovido pelo caderno Prosa & Verso - seu texto Sem minha filha foi publicado na coletânea Contos do Rio pela mesma editora Bom Texto, em 2005 - também pode ser relacionada com o único livro de contos de Lygia Bojunga, Tchau (1984). Em ambas, apesar da complexidade das personagens e dos temas abordados, não há espaço para nada que não a elaboração fina dos sentimentos citados sem a tentativa de convencer o leitor, nem de trazer personagens a julgamento.
          "O conto com o qual Ana Letícia participou do concurso Contos do Rio não é de literatura juvenil, o que importa dizer que está em aberto o caminho que ela vai seguir. Seja qual for, ela mostra ter qualidades suficientes para continuar seu sucesso, independentemente da categoria literária em que seja inserida."

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Memórias da 1a. edição (2 de 3)

Texto de Eliana Yunes para a primeira edição de Meninas inventadas. A nova edição já está nas livrarias e é ilustrada por Cecília Murgel.

1a. orelha, 1a. edição
"Ana Letícia Leal bem podia ser um nome inventado, quero dizer, uma menina inventada em graça e alegria. Mas é a inventadeira, quero dizer, a ficcionista. Finge bem a moça. Finge até que não é ela as meninas inventadas. Autobiográficas? Isto é gênero. As meninas adolescentes, patricinhas, deprimidas, anjos retos e tortos, vivendo nas sombras ou despudoradas na busca de um lugar ao sol, são quase como todas as adolescentes urbanas, filhas da pressa, da angústia precoce, da sede de afeto, dos sonhos pré-frustrados: Ana Letícia Leal, nome na capa, registrou Camila, Laura, Ludmila, Clara, Mariana, nomes das personagens, em câmera segura e cliques precisos.

"As estudantes, vivendo em um mesmo raio, provavelmente (juntos, os casos parecem contos, mas bem poderiam ser uma novela curta; ou um curta?), apesar das diferenças econômicas, se conhecem e rolam nas histórias umas das outras, com seus casos, e ficam. Ficam com o leitor. Rápidas pinceladas, frases enxutas, diálogos ágeis, seus tormentos diante do mundo, as crises, os conflitos, os vazios, as vaidades acabam por formar um painel arguto e compassivo do que se passa nos corações e mentes de jovens nada inventadas, atormentadas pelo não-sei-o-que-vou-fazer-da-minha-vida-agora, quando o peso do mundo desce dos ombros de seus pais e começa a pesar-lhes sobre as asas.

"As histórias tocantes, sem o menor travo piegas, são boas de ler para mães e filhas – umas para recordar, outras para espelhar, ambas para entender que a dor de crescer quando começa não acaba mais, nem tem remédio que não seja o de olhar a vida nos olhos e crer que ela vale a pena quando se é capaz de amá-la, sem medo.

"Se este é o livro de estreia de Ana Letícia Leal, imagine quando o nome deixar de ser ficção, quero dizer, quando atrás do nome aparecer em carne e osso a autora, leal à sua leitora. (Mas menino leitor também pode entrar.) Gente grande gostaria de ter escrito este livro. E também vai gostar de lê-lo."

sexta-feira, 29 de março de 2013

Por algum motivo, a Vivo me deve dinheiro

Há 21 meses sou cliente da Vivo e nesse período já paguei a ela por volta de 2 mil reais. Até o dia 6 de março, meu "relacionamento" com a empresa estava indo tão bem que já acessava mais a internet do smartphone que do computador de casa. Nesse dia, porém, meu aparelho perdeu a conexão de repente. Passei o dia 7 todo na rua, em parte tentando ajuda com o atendimento telefônico da Vivo. Quando finalmente fui atendida, me deixaram 20 minutos na espera para perguntar depois qual seria o outro número disponível. Sim, pois para continuar o atendimento eu teria que desligar meu celular e seguir as instruções do atendente por outra linha. Mas eu estava na rua e só tenho um aparelho celular... A moça então me orientou a enviar um SMS para 8090. Em seguida eu receberia um SMS em resposta, com as orientações necessárias. 

Enviei vários e não recebi nenhum tipo de retorno. Assim, entrei em contato com a ouvidoria da empresa, a quem detalhei o caso. O atendente me avisou que eu teria um retorno em até oito dias úteis. Não houve retorno algum. Assim, no dia 13 de março, às 11:46, enviei um e-mail para o atendimento: 

Estou sem internet no meu telefone desde o dia 6 às 20 horas, ou seja, há uma semana. Tentei atendimento diversas vezes e tenho oito protocolos. O último foi 20131420976191. No entanto o problema permanece o mesmo e recebi minha conta em casa como se nada estivesse acontecendo. Não é correto que a operadora efetue esta cobrança, pois não prestou o devido serviço.

Resposta:
Olá, Ana.  Sou Jean Wendell, analista da Vivo e estou retornando o seu email de 13/03/2013, referente à linha (21) XXXX-XXXX.Para ativar a configuração automática da internet basta enviar um SMS para o número 8090 com a palavra “VIVO” (todas as letras maiúsculas), caso o problema persista peço gentilmente o retorno do contato informando a marca e modelo do aparelho.

Esgotadas minhas esperanças de comunicação com a empresa de telecomunicações, enviei outro e-mail indagando como me desligar do plano. Simples: só pagar 200 reais. Preferi pagar a mensalidade de 115 reais e procurar o Procon. 

Liguei para o número disponível na internet e fui orientada a comparecer ao posto da Central do Brasil. Perguntei se não havia um atendimento prévio, online ou por telefone, mas eu tinha mesmo que ir pessoalmente com os documentos pertinentes à queixa. Cheguei ao posto anteontem por volta de meio-dia e fui informada de que as 40 senhas disponíveis para aquele dia já estavam esgotadas. E não adiantava voltar lá porque o posto entraria em obras. "Mas a sra. pode tentar em Ipanema, Bangu ou São João de Meriti". Aproveitei para conferir se não havia como adiantar o meu lado via internet ou telefone. A atendente do balcão de informações do Procon me disse que não sabia informar. 

Lembrei que podia aproveitar a viagem para descer na estação de metrô Carioca e passar na loja Vivo do shopping Avenida Central. Lá, um simpático rapaz imediatamente mexeu em algumas teclas do meu aparelho, que no ato voltou a se conectar. Mas qual era o problema?, perguntei. "Por algum motivo, o celular da sra. desconfigurou". 

Por algum motivo, a Vivo me deve dinheiro.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Memórias da 1a. edição (1 de 3)

Nova edição na gráfica!
Publicar meu primeiro livro era um sonho muito grande e ainda me lembro de abrir o pacote que trazia este Meninas inventadas. A maior alegria em anos. Para sempre, uma das maiores alegrias. 

O projeto gráfico foi da Ilana Braia e os desenhos, de Bruno Maron. Eu amei... As cores na capa, os gestos desenhados, o batom, a bola e o espelho... O título dançava pra mim e meu nome brilhava. Para sempre, uma das maiores alegrias!
Um ano depois chegou a etiqueta que, como disse a querida Hanna Melo, é o tipo do detalhe que faz toda diferença: "finalista do Prêmio Jabuti 2007". Eram finalistas comigo, na categoria juvenil: Bartolomeu Campos de Queirós, Lygia Bojunga, Manoel de Barros e Moacyr Scliar. 

Obrigada à turma que trabalhou na realização deste grande sonho: Andrea Marques, Bruno Maron, Cristina Portela, Elio Demier, Gabi Back e, especialmente, Ilana Braia. Por  fim, compartilho meu carinho por esta menina de bruços na contracapa do volume. Não é linda?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Texto do release de Meninas Inventadas



Uma visita inesquecível às angústias e delícias das adolescentes contemporâneas
 Escrita Fina lança nova edição de ‘Meninas inventadas’, elogiado livro de estreia de Ana Letícia Leal

Camila quer ser uma atriz famosa, mas, por enquanto, ajuda o pai numa loja de pães de queijo. Carol não entende porque sua melhor amiga começa de repente a se afastar. Ludmila se acha gorda. Janaína já tem 15 anos e nunca beijou na boca – mas o que a incomoda mesmo é a sua pele. Diante da notícia de que vai ganhar um irmão, Clara só pensa numa coisa: não quer ter que dividir o quarto com ninguém. Estas são algumas das personagens retratadas em Meninas inventadas, o livro de estreia de Ana Letícia Leal que acaba de ganhar uma nova edição pela Escrita Fina.

Não à toa, a obra foi uma das dez finalistas do Prêmio Jabuti de 2007, e arrebatou elogios da crítica. Com um misto irresistível de delicadeza, criatividade e bom humor, apresenta flagrantes das angústias e das aventuras cotidianas tão comuns às adolescentes contemporâneas.

A paixão não correspondida pelo colega de escola, a indecisão diante do guarda-roupa e de qual carreira escolher, o sentimento de inadequação no mundo, as dúvidas quanto à etiqueta sexual – Meninas inventadas passeia de forma sensível e divertida pelos temas que permeiam essa fase tão intensa na vida de toda mulher. Narrados em primeira pessoa, são relatos que acontecem na sala da terapeuta, nas páginas de um diário, na tensa conversa com a amiga de classe ou mesmo dentro de um automóvel, onde uma mãe revela como também foi, um dia, uma adolescente cheia de inseguranças e sonhos.

Distante de qualquer indício de pieguice ou senso comum, Ana Letícia Leal visita o universo feminino juvenil atenta à gama de sutilezas que o torna tão complexo, tão intricado e, por isso mesmo, uma matéria-prima tão rica para a literatura. Sua linguagem é descontraída, em sintonia com as gírias e modismos. Ao mesmo tempo, não se permite escorregar em nenhum momento em simplificações ou condescendências – risco tão comum na literatura para essa faixa etária. Pelo contrário. Meninas inventadas lança um olhar astuto e original para temas que, apesar de tão comuns a jovens do mundo todo, são naturalmente escorregadios e difíceis.

Na nova edição, o texto de Ana Letícia ganha a companhia luxuosa das ilustrações de Cecília Murgel, artista conhecida pelos desenhos delicados que retratam meninas em poses lúdicas, e também recebe o elogio da grande escritora Lygia Bojunga, cuja opinião abalizada apresenta-se como texto de quarta capa.  

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Travessia

Atravessar para dentro de mim
Atravessar é por onde não sei
Mas sei que no lugar aonde quero chegar
A minha voz há de ter vez


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A solidão do escritor



Certa vez, numa aula na Estação das Letras, uma pessoa interrompeu minha sugestão para construção de enredos com uma pergunta. Queria saber se não seria melhor, em vez de pensar sobre as possibilidades da história, “fazer como Lygia Bojunga, que conversa com os personagens”. 
É verdade que Lygia simula conversas com personagens, que contam suas histórias. Acontece com Carolina (Retratos de Carolina, de 2002), Ana Paz (Fazendo Ana Paz, de 1992) e até mesmo com “o leitor” (em diversos momentos da obra). É verdade também que ela não é esquizofrênica, tampouco médium. Lygia Bojunga é uma encantadora de leitores e, como tal, precisa trabalhar sozinha na construção de enredos.
Muitas vezes fui trabalhar angustiada com os apelos de Odaísa. Protagonista de um conto que escrevi em 1996, ela me assombrou por pelo menos quatro anos. Odaísa reclamava por ter sido criada para morrer. Seu conto se chamava “O primeiro dia”. Tratava do seu primeiro dia de trabalho como manicure. Ao sair do salão de beleza, ela morria atropelada. E o conto acabava. Mas Odaísa não.
Odaísa passou a me aguardar diariamente à mesa do café da manhã. Quando eu chegava à cozinha, me interpelava, indócil: “Por que preciso morrer? Eu quero viver!” O jeito foi dar a ela uma fala em Para crescer, livro escrito em 2000 e publicado pela Escrita Fina dez anos depois. Desde que Odaísa fez uma ponta no último capítulo, nunca mais me assombrou.
Em 2009, porém, passei a ser assombrada pela protagonista do livro, Antônia. E de tão assombrada passei a encará-la. Hoje, Antônia anda escrevendo à beça. Citei uma parte do seu segundo livro na última crônica, sobre o que comentou a amiga-de-Facebook Claudia Fernandes Batista: “Parece mágico o modo como o processo criativo se apresenta... ou será que tem algo de paranormalidade aí, já que somos deliciosamente assombrados por nossos próprios personagens?”.
Lygia criou uma cena emblemática da delícia que é nos deixarmos assombrar pelos personagens que criamos. Não queremos acender a luz, assim como Dom Quixote manteve os olhos vendados na antológica cena do carrossel. Porém não nos enganemos: trabalhamos em completa solidão.
—Como é que pode, Ana Paz?
—O quê?  
—Eu sei que você é inventada, mas eu tô sentindo a tua pele aqui na minha mão, como é que pode?!
—É porque tá escuro.
—É uma sensação esquisita, eu não gosto, acende essa luz de uma vez!!
— Eu não. Pensa que eu não sei que você tá me sonhando? Se eu acendo a luz você acorda e eu acabo. 
(Bojunga, Lygia. Fazendo Ana Paz. Agir, 1992, p. 39)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O retorno de Antônia


No verão é mais difícil escrever. O verão chama o corpo pra fora de casa, a alma quer a praia, a pele pede outras peles. No verão de 2011, principalmente, estive muito cansada desta vida aqui dentro. Eu já ia até mesmo saindo pela porta, quando alguém me puxou pelos cabelos: “Me tira urgente deste rascunho!”. Era Antônia, protagonista do primeiro livro que escrevi, o Para crescer (Escrita Fina, 2010). Fiz sua vontade: não saí para escrevê-la mais. Fazia tempo que eu não escutava Antônia. Demorei alguns dias até sintonizar meu ouvido com sua voz. Quando finalmente consegui...
 
— Esta noite rolei na cama e dei com você já adulta. Estranhei, Antônia. Pensei que você passaria a vida toda com seus 17 anos.
— A vida toda? Não! Só no Para crescer. Quando deixei a cena do orfanato, eu não podia mais esperar. Estava doidinha pra realmente crescer!
— Quem diria que o Para crescer ficaria na gaveta...
— O jeito foi eu crescer dentro dela...
— Na gaveta?
— Eu não podia outra coisa. Se eu queria viver, eu tinha que imaginar. E você tinha me deixado com um desejo de viver muito forte. Você tinha me feito quase querer morrer para finalmente decidir pela vida. A gente não contava com o engavetamento e foi isso o que me desafiou. Veja: o que eu podia fazer como personagem, se minha história ainda não se fizera conhecer? O que eu podia fazer na antessala da leitura? Como personagem, haveria jeito de eu seguir com a minha história? A solidão. No engavetamento a solidão é impressionante. Eu não tinha acesso a ninguém. Você me terminou e eu me perdi da Isadora, do meu pai e de todos. Aliás, eu nem sabia da gaveta. Eu pensava que talvez estivesse louca ou em coma ou morta. Eu pensava que o mundo podia ter acabado realmente. Eu pensava um monte de coisa misturada, talvez fosse um sonho, eu não sabia, mas eu precisava me manter viva para chegar a saber, eu precisava dar conta do tremendo desejo de crescer com o qual você me deixou. Até hoje eu me pergunto o motivo de você já não me ter feito crescer dentro da história do primeiro livro, mas enfim, eu disse “corta” para que Isadora desligasse a câmera e caí num pesadelo onde só eu existia e cuja saída só eu poderia achar; eu acreditava na saída porque você me fez uma personagem de fé. Eu acreditava, e se ainda não via sinal dela, podia esperar, por que não? Então me concentrei vivamente na imaginação que você me deu: