sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

"Nó na garganta"

A capa do meu exemplar

Eu gostei muito do livro "Nó na garganta". Os personagens que eu mais gostei foram Tânia e Pedrinho. Gostei da maneira que Pedrinho defendia Tânia, todas as horas que podia. Não gostei nem um pouco de Juliana. Tinha por Tânia uma amizade falsa: já que não tinha outra menina que quisesse brincar com ela, se aproveitava de Tânia que não tinha amiga. Mas na hora que Tânia mais precisou de uma amiga, ela apoiou o irmão, e quem defendeu Tânia foi Pedrinho. Não gostei de Rafael, achava que ele era o melhor. Não concordo.
Foi a segunda vez que li o livro. (Minha redação escrita em 21/09/1981, no Colégio Teresiano, Rio de Janeiro-RJ)


    Eu já tive vários nós na garganta: de tristeza e de felicidade. Já tive vários nas discussões e brigas com meus irmãos. Mais ainda com o Evandro, que tem 14 anos; o outro tem 16, então ele me defende nas brigas com o outro. O nome dele é André Luis.

    Bem, o Evandro é bem implicante, é cínico. E, como é mais velho, é claro que tem mais argumento. Várias vezes, por uma coisinha à toa, ele vai e me bate. Eu, que sou muito faniquiteira e manhosa em casa, dou um grito, e mamãe aparece na sala na minha vez de bater. Então ela briga comigo e vai para dentro. O Evandro começa a rir e eu fico morta de raiva. Aí é que começa a discussão. E, como ele tem mais argumento, acaba sempre ganhando. Mas... quando o papai está por perto, quem leva bronca é o Evandro. Mas quando não, eu fico com vontade de dizer a verdade e não consigo. (Redação escrita em 21/10/1981, no Colégio Teresiano, Rio de Janeiro-RJ)


Fui buscar estas redações na minha caixa amarela, porque "Nó na garganta" é o livro de infância de Janaína, a jovem jornalista do meu novo livro, "Dor de garganta". No primeiro, Mirna Pinsky conta a história de sofrimento e superação de Tânia, menina negra de dez anos, que se defronta com o preconceito racial dos seus colegas de escola, todos brancos, e ainda é maltratada pela patroa da mãe, empregada doméstica.  

A capa atual
"Nó na garganta" não é meu livro de infância, mas é um livro que me marcou, se voltou assim. Eu nunca me esqueci, principalmente, da imagem de Tânia na capa antiga - sozinha, sozinha. O livro continua à venda e hoje ganha novo significado com o agravamento do problema do bullying nas escolas. Tânia é discriminada por ser a única criança negra no lugarejo para onde se muda e, ainda, por ser filha de empregada doméstica. Não sei se os especialistas chamariam a situação por que ela passa de bullying, mas certamente valorizarão seu modo particular de vencer o inimigo. 

2 comentários:

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