sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pinçamentos


. Quem gostar de morrer que  me leia. Aos outros, os sabonetes.
. Eu quero que você me leia; não só pelo verso bonito, mas também pelo reverso esquisito.
. Você pode escrever corretamente, seguir receita. Mas, se não descobrir o seu jeito, não será literatura.
. Reinvente a sua vida: escreva um livro de memórias.
. Escrever está do lado das perguntas, as respostas não importam.
. Quando escolhi escrever, estava disposta a me assumir movida pelas perguntas. Eu pergunto, me pergunto e me ponho em pergunta.
. Em geral, minhas narradoras meninas contam em primeira pessoa. Elas são meus desdobramentos, minhas possibilidades. Tudo o que tenho escrito é isso.
. Guardo diários há trinta anos. Relendo-os, vejo que minha voz varia de um a outro personagem.
. No meu diário, eu sou mais eu? Na ficção, eu não sou? Eu sou o que eu digo ser?
. A autoficção é a coexistência disfarce/corpo. São indissociáveis.
. O texto esconde/revela o escritor.
. Ora penso que não existe o corpo, somente o disfarce; ora acredito na existência de alguém dentro da roupa.
. Em Desengaveto-me, o fundamental é a costura exposta. O texto é carne viva.  Os vazios são a razão da narrativa.
. Meu Deus é a força que tende para a vida, a solidariedade e a literatura. Força em permanente tensão com a vontade de morrer, de nada ser ou fazer. O mais é modo de viver em risco.
. Comecei a Antônia, de Para crescer, numa perspectiva de senso-comum, seguindo para acontecimentos que desconstruíssem o mundinho dela. Então, procurei apontar para uma perspectiva mais verdadeira.
. Nasci  com muitas palavras. Sempre palavras de mais e vida de menos. Escrevendo, corto palavras.
. Meu Projeto Básico é a literatura.
. Tentar fazer com que a palavra chegue aonde a palavra não chega. Não ceder ao discurso alheio. Desconfiar sempre.
. Dentro de mim, a palavra suplica: transmita-me!
. “Não se deve publicar a própria crise”, me aconselhou há vinte anos. “Com o tempo, vem o tempero literário”, completou.
. Personagens que perdi. Depois de muitas tentativas, a Danielle caiu na caricatura e perdeu a vida. Odaísa idem.
. Quero o colar que não está. Por isso não sei se devia escrever telenovela, como tanto já quis.
. Foi impressionante, Antônia. Parei uns dias para ouvir sua voz, eu sentia que você me diria algo importante. Finalmente ouvi sim, mas a voz da sua mãe. Ela me disse que não começou nela a história que viveu. E que a participação dela ainda não terminou.
 . Escrevo para escolher as palavras que... para me refazer de palavras escolhidas. As palavras que corto? Vão para um espaço de possibilidades.
 . Escrevo para viver palavras novas.

Um comentário:

  1. bacana! gostei do que vc pinçou e da sua forma de pinçar...
    um abraço.
    Viviane.

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