quinta-feira, 19 de julho de 2012

Outra casa muito engraçada


(desde 1993)


      A casa era branca e não tinha chão; não era uma casa, propriamente. Era uma coisa gostosa de imaginar, era um brinquedo bom de se ter. A casa branca era um desenho de Maria Teresa.

      Maria Teresa caprichava uma telha ali, a maçaneta da porta acolá, um dia encrencou: “A minha casa é uma palhaçada. Esta porta não abre, desta chaminé não sai fumaça. Se eu desenhasse bem, ia fazer a parte de dentro da casa e até alguém para morar nela. Assim, ela não serve pra nada!”

      A casa desenhada ficou esquecida dentro da casa de morar, até que Maria Teresa cresceu e a encontrou. Achou graça: não se parecia mesmo com uma casa... Faltava chão, faltava gente.


Então, absorveu que não dava mais pé. 
Maria Teresa, para sempre por um triz, observou que não tinha como. 
Não dá mais pé estar para sempre por um triz, objetou Maria Teresa. 
Quis reformar a casa branca.


Outra vez com alguns lápis de cor, 
Fez uma coisa muito engraçada: 
fez a casa sorrir e também sorriu – 
um riso que não dá para explicar. 


Maria Teresa pegou alguns lápis de cor 
e fez uma coisa muito engraçada: 
fez a casa sorrir e sorriu também; 
sorriram, a um só tempo – 
um riso que não dá para explicar. 


A casa era branca e não tinha chão;

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