sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dois poemas


(desde 1993)


BARCO DE PAPEL

Aos cinco anos aprendi a fazer barco de papel
e, em casa, eu inventei que viajava em alto-mar
Logo me visitou meu querido primo Leo,
que também quis fazer barco, para comigo ir viajar

Se do papel se fazem barcos...
Se do tapete se faz mar...
Se das paredes, o horizonte...
Se do primo, o meu amor...

Tenho hoje quinze anos,
ontem Leo sumiu no mar.
Todos dizem que morreu,
ali é fácil se afogar.

Fiz então um barco bonito
e lancei-o em alto-mar,
um barco de cartolina,
talvez para Leo brincar,
um barco branco e azul,
talvez para Leo resgatar,

um barco de papel
navegando em alto-mar.


OLHOS DE MENINA

De manhã, menino teria prova na escola...
A aula particular não ajudara em nada...
Com medo de repetir o ano, dormiu...
E sonhou com um menino igual, irmão gêmeo,
que era professor de primeira, um gênio.

Menino não hesitou:
preparou mochila com muda de roupa, escova de dente, fio-dental;
pegou bolo de aipim, deixado na mesa para o café da manhã,
e não esqueceu fotografia de mãe, pai, vô, vó e  irmã
para irmão conhecer e gostar.

De madrugada, deixou sua cidade
para ir até o irmão com quem aprenderia matemática.
Mas no meio do caminho, encontrou menina.
Falaram em canto de pássaro, em barulho de vento...
Os olhos de menino fitavam os olhos de menina, porque

é bom conversar com você, é bom conversar com você, é bom conversar com você.
Encantado, menino chegou a esquecer o motivo de sua andança.
Lembrou quando, afinal, viu:
um dos olhos de menina refletia menino,
e o outro refletia irmão.

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