sexta-feira, 2 de março de 2012

Três poemas


(desde 1988)
 CLARA
Clara amava tanto a avó que,
quando se dava conta, esquecera que era neta,
virara irmã.

Clara amava tanto a avó que,
quando dava por si,
a diferença de idade deixara de existir.

A distância entre uma e outra era menor
que o buraco da agulha
que a avó não acertava mais.

Agora a distância é maior
que o tamanho do céu
onde a avó deve estar.

 

COF, COF, COF


Cof, cof, cof
Já estou sem ar
Cof, cof, cof
Não consigo mais parar
Cof, cof, cof
Mas que aflição
Tosse, tosse, tosse
Quanta dor no coração

 

 O RISO DA ROSA

A rosa ria demais.
Por que ria tanto a rosa?
O riso enrugava as pétalas da rosa,
as cépalas já não podiam com as pétalas,
pois a rosa não parava de rir.

A rosa ria a fim de tornar rosa
o que jamais cor-de-rosa seria.
E então a rosa riu ratos,
a rosa riu rãs.

Pobre rosa!

A rosa chora demais.
Por que chora tanto a rosa?
O choro lava os olhos da rosa,
e eu sei que ela logo amará
o azul do céu e do mar.

E também o branco da areia,
a roseira em que ela está,
um sorriso de menina,
o olhar de um menino
e tudo o que mais passar.  

2 comentários:

  1. gostei! diferentes um do outro, bastante, e muito interessantes. muito lindo o da rosa.

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