sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Porque escrevo

          “Se soubéssemos algo daquilo que se vai escrever, antes de fazê-lo, antes de escrever, nunca escreveríamos. Não ia valer a pena.”
          (Marguerite Duras, no livro Escrever)

          “Os jovens escritores buscam fórmulas, truques, regras. Lutam para chegar ao bem escrever. Não sabem viver sem uma boa coerção. Querem notas, aprovações, títulos. Nada disso interessa ao escritor. A literatura é o terreno da liberdade. Terra de ninguém, nela as qualidades e os defeitos têm o mesmo valor. Até porque é impossível separá-los.”
           (José Castello, “Apologia dos defeitos”, no blog A literatura na poltrona)

           “O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu.”
            (Clarice Lispector, no romance A paixão segundo GH)

          “Quando um livro inteiro sai de dentro da pessoa, é inevitável o estado particular de uma certa solidão que não se pode partilhar com ninguém. Não se pode fazer nada para partilhar isso. É preciso ler sozinho o livro que se escreveu, enclausurar-se no livro.”
            (Marguerite Duras, Escrever)

          “E, de fato, muito do que nós próprios consideramos indispensável para uma obra de ficção pode vir a se revelar supérfluo à medida que avançamos em nossas leituras. Se a cultura estabelece uma série de regras que o escritor é instruído a observar, a leitura nos mostrará como elas foram ignoradas no passado, e como isso teve um resultado feliz. Assim, permita-me repetir mais uma vez: a literatura não só infringe regras como nos faz compreender que não existe regra alguma.”
            (Francine Prose, no livro Para ler como um escritor)

          “Cada livro, como cada escritor, tem alguma passagem mais difícil, incontornável. E ele deve tomar a decisão de deixar este erro no livro para que permaneça um livro verdadeiro, e não de mentira.”
              (Marguerite Duras, Escrever)

              “Não, talvez não seja isso. As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito. Ou, pelo menos, não era apenas isso. Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas histórias. E nem todas posso contar – uma palavra mais verdadeira poderia de eco em eco fazer desabar pelo despenhadeiro as minhas altas geleiras”.         
                (Clarice Lispector, no conto “Os desastres de Sofia”)

3 comentários:

  1. Escrevo por uma necessidade. Escrevo por uma incompletude.

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  2. Estes textos são realmente esclarecedores e inspiradores. Neize

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  3. legal. escrevo porque escrevo. ótimo!
    um abraço.

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