quinta-feira, 10 de março de 2011

Aula de Português 2

Foi a dona Sônia também que me fez tomar o gosto por reescrever. Comecei a mando dela, com as redações, na quinta série. Ela marcava os erros de português e os pedaços que estivessem mal escritos. A gente ia para a outra página do papel almaço e reescrevia. Acima, a palavra mágica: reescritura. Dependendo do caso, quando a segunda redação ainda não estava boa, ela pedia uma segunda: reescritura. Hummmmmm… Por mim aquilo não acabaria nunca!

A dona Sônia aproveitava cada letrinha quando falava. Demorava-se nas sílabas, caprichava na entonação, fazia pausas. Falava tudo bem certinho, como os bons professores de língua estrangeira costumam fazer. Era tão bom ouvir o português falado com tanto vagar e amor! Neste tom, ela explicava que, antes de escrever qualquer texto, a gente devia pensar numa divisão entre o começo, o meio e o fim dele. Até os parágrafos, cada um, podem ser trabalhados assim, ela explicava: tópico frasal, desenvolvimento e conclusão. Clímax. Hummmm… isto é muito bom!

Guardei parte das redações que escrevi. Lendo uma a uma, percebo que, na época da dona Sônia, ainda não fazia textos bons como passaria a fazer ali pela oitava série ou já no segundo grau. Mas gostava muito de escrevê-los! Eu estava em plena descoberta da alegria de escrever! Eram muitas redações e era uma alegria suave, ainda tenho nos ouvidos o som da esferográfica vermelha sobre o papel almaço, enquanto a régua marcava a margem que eu desenhava. Então, já de caneta azul em punho, eu pulava - para um mundo que eu inventava. Eu também, Raquel, eu também! Ah, como eu gostava do intervalo no colégio: redação.

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